A quantificação de microrganismos por qPCR é uma ferramenta muito utilizada em diferentes áreas da biologia. E no contexto regulatório de bioinsumos, ela assume um papel ainda mais crítico.
Com a publicação do Manual de Metodologias de Bioinsumos do MAPA (2025), a quantificação deixou de ser apenas uma etapa analítica e passou a exigir comprovação metodológica robusta. Ou seja, não basta quantificar, é necessário demonstrar, de forma técnica e documentada, que a metodologia utilizada é capaz de quantificar com precisão, consistência e confiabilidade. Isso caracteriza a validação.
A validação de quantificação por qPCR tem como objetivo comprovar que o método é adequado para medir, de forma quantitativa, a presença de um microrganismo em uma determinada matriz como um produto formulado ou uma amostra ambiental.
Essa validação não é única. Ela precisa ser conduzida considerando o contexto específico em que o método será aplicado.

No caso de bioinsumos, isso significa que diferentes formulações, combinações de microrganismos e características da matriz podem impactar diretamente o desempenho da técnica. Por isso, o Manual deixa claro que a validação deve considerar essas variáveis, garantindo que o método funcione de forma consistente nas condições reais de uso.
A estrutura da validação envolve alguns pilares fundamentais.
O primeiro deles é a linearidade e eficiência da reação. A metodologia precisa demonstrar que existe uma relação direta e consistente entre a quantidade de DNA alvo e o sinal obtido no qPCR. Isso é feito por meio de curvas padrão, que permitem avaliar a eficiência da amplificação e a confiabilidade da quantificação ao longo de diferentes concentrações.
Em seguida, entra a sensibilidade do método, representada pelos limites de detecção (LOD) e quantificação (LOQ). Esses parâmetros definem até que ponto o método consegue detectar e quantificar o microrganismo de forma confiável, especialmente em concentrações mais baixas.
Outro ponto central é a precisão, que envolve a repetibilidade e a reprodutibilidade da técnica. Isso significa demonstrar que o método gera resultados consistentes quando repetido nas mesmas condições e também quando realizado em condições ligeiramente diferentes, como dias distintos, operadores ou equipamentos.
A validação também exige a avaliação de robustez, verificando se pequenas variações no protocolo, como mudanças de temperatura, reagentes ou condições experimentais que impactam o resultado de forma significativa.
Além disso, o Manual destaca a importância da avaliação da matriz. Em produtos biológicos, componentes da formulação podem interferir na reação de qPCR, seja inibindo a amplificação ou alterando a eficiência da detecção. Por isso, é necessário demonstrar que o método é capaz de quantificar corretamente o alvo mesmo na presença dessas interferências.
Em muitos casos, também é recomendada a comparação com métodos de referência, como técnicas clássicas de plaqueamento, para reforçar a confiabilidade dos resultados obtidos por qPCR.
O que o MAPA estabelece, na prática, é um padrão de evidência.
A quantificação precisa ser sustentada por dados. Cada parâmetro avaliado deve ser documentado, analisado estatisticamente e apresentado de forma clara dentro do dossiê. Não se trata apenas de executar a técnica, mas de comprovar que ela é adequada para aquele uso específico.
Esse nível de exigência reflete uma mudança importante no setor.
A validação de métodos passa a ser parte central do processo de registro, trazendo maior rigor técnico e mais confiabilidade para os produtos biológicos disponíveis no mercado.
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